sábado, 31 de outubro de 2009

A Igreja popular não é nossa Igreja Católica

A igreja popular que nos é proposta como uma nova alternativa de vida eclesial, simplesmente, já não é nossa Igreja Católica. Não tem nada daquilo que o Concílio Vaticano II descrevia como ‘’o mistério da Igreja’’, esta realidade divina transcendente e salvífica visivelmente presente entre os homens, ‘’a um tempo, humana e divina, visível mas ornada de dons invisíveis, operosa na ação e devotada à contemplação, presente no mundo e no entanto peregrina; e tudo isso de maneira que nela o humano se ordene ao divino e a ele se subordine, o visível ao invisível, a ação à contemplação e o presente à cidade futura que buscamos’’ (SC 2); esta realidade complexa divino-humana, na qual a parte humana, terrestre, visível, jurídica, hierárquica, social ou institucional é o orgão ou instrumento do qual se serve o Espírito de Cristo para santificar e salvar ou libertar os homens (LG 18a). Mas entendendo por salvar ou liberta ‘’não uma salvação imanente ao mundo, limitada às necessidades materiais ou mesmo espirituais, e que se exaurisse no âmbito da existência temporal e se identificasse, em última analise, com as aspirações, com as esperanças, com as diligências e com os combates temporais; mas sim uma salvação que ultrapassa todos estes limites, para vir a ter a sua plena realização numa comunhão com o único Absoluto, que é o de Deus: salvação transcendente e escatológica, que já tem certamente o seu começo nesta vida, mas que terá realização completa na eternidade’’ (Evangelii Nutiandi nº 27)

Nada disto, que é a natureza mesma do Corpo Místico de Cristo e constitui sua grandeza e é ao mesmo tempo a razão de ser de nosso amor á Igreja e de nossa entrega a ela e à sua missão, se encontra no conceito de igreja popular que agora nos querem apresentar como a nova eclesiologia. Os bispos chilenos que foram os primeiros que mais de perto experimentaram a irrupção deste insólito modo de conceber a Igreja, concluíram em seu documento de 16 de outubro de 1973 sobre Fé Cristã e Atuação Política, nº 74: ‘’Não é estranho que, sobre esta base se desvirtue a natureza da Igreja e sua institucionalidade essencial. Por este caminho somos conduzidos a uma ‘igreja nova’ sem dimensão sobrenatural, sem sacramentos, sem ministério hierárquico. Nós não podemos reconhecer nesta figura uma simples ‘renovação’ da Igreja perene, mas pura e simplesmente uma instituição diferente, com outra origem, outros fins e meios: uma nova seita. E na realidade os comportamentos de ordem prática deste grupo se aproximam perigosamente e cada vez mais a este caráter de seita’’.

Não há dúvidas que a Igreja de Cristo é e deve ser ‘’popular’’ ou ‘’do povo e para o povo’’, que ela é, como o proclamou uma vez mais o Concílio Vaticano II, o Povo de Deus da Nova Aliança. Entretanto, este Concílio entendia por ‘’povo’’ não exclusivamente os pobres-oprimidos-conscientizados, mas ‘’todos os homens em geral’’ (LG 13d): ‘’Todos os homens são chamados a formar parte do novo povo de Deus’’ (LG 13a). Contudo, ainda que todos os homens sejam chamados a esta unidade Católica do Povo de Deus, de fato nem todos fazem parte desde Povo. [...]

O Vaticano II conhece, pois, também um sentido mais estrito de ‘’povo’’ de Deus ou dos que estão incorporados ‘’plenamente’’ à Igreja de Jesus Cristo: são todos aqueles que ‘’tendo o Espírito de Cristo, aceitam a totalidade de suas organização (estruturas, institucionalidade) e todos os meios de salvação nela instituídos, e na sua estrutura visível regida por Cristo através do Sumo Pontífice e dos bispos que se unem a Ele pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do regime e da comunhão eclesiástica’’ (LG 14b). Como se vê, nesta noção de povo, que é certamente restritiva e não abrange todos os homens, não entram considerações do tipo sociológicos que distingue entre probres e ricos, governados e governanter, etc. Uns e outros, sem nenhuma distinção de classe social, contanto que tenham as condições indicadas, são ‘’povo’’ e pertencem plenamente ao Povo de Deus da Nova Aliança. É evidente que os verdadeiros ‘’opressores’’ que são injustos, não as têm: ‘’ Não se salva contudo, embora incorporados à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade permanece no seio da Igreja com o corpo, mas não com o coração’’ (LG 14b)

Esta é a verdadeira Igreja Popular.

Sem admitir a simplista identificação do ‘’povo’’ com o ‘’pobre’’ e entendendo a expressão Povo de Deus como se propõe o Concílio Vaticano II ( é um gravissimo erros de perspectiva, totalmente contrário ao Concílio, identificar o Povo de Deus com os leigos), seria também perfeitamente correto afirmar que o Povo de Deus é o portador do Evangelho, o sujeito da Igreja, com outros privilégios ou prerrogativas mais, mas sem nunca esquecer que esta Igreja de Cristo é uma comunidade sacerdotal e profética ‘’organicamente estruturada’’ (LG 11a), na qual não todos têm as mesmas funções, tarefas, responsabilidades, capacidades e competências: há diversidade de carismas, de ministérios e de modos de ação (cf. 1Co 12,4-6). Nem tudo é conferido pelo Sacramento do Batismo: e nem todos receberam o Sacramento da Ordem.

(D. Boaventura Kloppenburg – Igreja Popular, pág.77)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Grandes Bispos Brasileiros: D. Romualdo Antônio de Seixas



Dom Romualdo Antônio de Seixas nasceu em Cametá, em 1 de novembro de 1787. Foi o 16º Arcebispo da Bahia, conde e marquês de Santa Cruz.

Filho de Francisco Justiniano de Seixas e de Ângela de Sousa Bittencourt, e sobrinho de Dom Romualdo de Sousa Coelho, oitavo bispo do Pará. Finalizou os estudos eclesiásticos em Lisboa.

Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, em 1808, o bispo do Pará, Dom Manuel enviou o Padre Manuel Evaristo de Brito Mendes e o diácono Romualdo de Seixas cumprimentar El Rei em nome do clero paraense. Manuel e Romualdo voltaram a Belém com a nomeação de cônegos da Sé Paraense e Cavaleiros da Real Ordem de Cristo.

Romualdo de Seixas foi ordenado presbítero em Belém, a 1 de novembro de 1810, por Dom Manuel de Almeida de Carvalho. Foi nomeado pároco de Cametá e posteriormente Vigário Capitular.

O cônego Romualdo de Seixas presidiu a Junta Governativa Provisória da província do Grão-Pará e Rio Negro de 1821 a 1822 e em 1823.

O Imperador do Brasil, D. Pedro I, por decreto de 12 de outubro de 1826 o nomeou 16º Arcebispo da Bahia. O Papa Leão XII confirma a nomeação a 30 de maio de 1827.

O Cônego Romualdo foi ordenado bispo a 28 de outubro de 1827, pelo Bispo Capelão-Mor Dom José Caetano da Silva Coutinho, bispo do Rio de Janeiro.

Recebeu o pálio arquiepiscopal a 4 de novembro de 1827. Em 31 de janeiro de 1828 tomou posse por procuração e fez sua entrada solene na catedral de Salvador a 26 de novembro de 1828.

Foi deputado pelo Pará e pela Bahia, tendo presidido a Câmara em 1828 e 1829. Recebeu de Pedro I o título de pregador da Capela Imperial e a grande dignitária da Imperial Ordem da Rosa e de Pedro II a grã-cruz da Imperial Ordem de Cristo.

Em 1841 presidiu a solenidade de sagração de D. Pedro II, Imperador do Brasil, e dele recebeu a Grã-Cruz da Real Ordem de Cristo. Recebeu o título de Conde de Santa Cruz, por decreto imperial de 2 de dezembro de 1858. Em 14 de março de 1860 foi nomeado Marquês de Santa Cruz.

Foi sócio da Academia de Munique, do Instituto da África em Paris; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Sociedade Real dos Antiquários do Norte e outras sociedades de ciências e letras.

Correspondeu-se com Martius e Spix após manter contato pessoal quando da viagem destes à Amazônia. Ao regressarem à Europa, os naturalistas lhe enviaram de lá o diploma de sócio da Real Academia das Ciências de Munique.

Faleceu em 29 de novembro de 1960, em Salvador.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ainda no ''espírito do DNJ'', mais um texto de S João Bosco sobre a juventude

Do respeito que devemos ter ás igrejas e aos ministros sagrados

Á obediência e ao respeito aos superiores deve andar unido o respeito ás igrejas e a todas as coisas da religião.Somos cristãos; por isso devemos venerar tudo o que se relaciona com este estado de cristãos e especialmente a igreja, que é chamada templo de Deus, lugar de santidade, casa de oração.Tudo o que pedirmos a Deus na igreja, alcançaremos: Omnis enim qui petit áccipit.Ah! meus caros filhos, quanto sois agradáveis a Jesus Cristo e que belo exemplo dais aos outros, estando na igreja com devoção e recolhimento! Quando São Luis ia à igreja, corria a gente para vê-lo e todos ficavam edificados pela sua modéstia e pelo seu porte.Quando entrardes em uma igreja, evitai correr e fazer ruído; mas, tomando água benta e depois de fazer a devida reverência ao altar, ide ao lugar que vos está marcado e ajoelhando adorai a Santíssima Trindade, rezando três glórias ao Pai.

Se ainda não for hora de começarem as funções religiosas, podeis rezar as setes alegrias de Nossa Senhora ou fazer algum outro exercício de piedade.Evitai com o maior cuidado ri na igreja ou falar sem necessidade.É suficiente uma palavra ou um sorriso para dar mau exemplo e incomodar os que assistem ás sagradas funções.Santo Estanislau kostka estava na igreja com tanta devoção, que muitas vezes não ouvia quem o chamava, nem percebia os empuxes com os quais os seus criados o advertiam que já era tempo de voltar para casa.

Recomendo-vos sumo respeito aos sacerdotes e aos religiosos.Por isso recebei com veneração os avisos que vos derem; tirai o chapéu em sinal de respeito, quando falais com eles ou quando os encontrardes na rua.Deus vos livre de que chegueis a desprezá-los com atos ou com palavras.Tendo alguns menino escarnecido do profeta Eliseu dando-lhe apelidos, o Senhor os castigou fazendo sair de uma floresta dois ursos, que, atirando-se a eles, mataram quarenta e dois.Quem não respeita os ministros sagrados deve recear um grande castigo de Nosso Senhor.Sempre que se falar deles, imitai o jovem Luis Comolo, o qual costumava dizer: Dos ministros sagrados ou falar bem ou calar absolutamente.

Por último, quero adverti-los que não deveis envergonhar-vos de ser cristãos também fora da igreja!Por isso, quando passardes de ante das igrejas ou de alguma imagem de Maria ou dos outros Santos, não deixeis de tirar o chapéu em sinal de veneração.Desta arte mostrarvos- eis verdadeiros cristãos e Deus vos encherá de bênçãos por causa do bom exemplo que dais ao próximo.



Fontes: S. João Bosco - O Jovem Instruído na Prática de Seus Deveres Religiosos

domingo, 25 de outubro de 2009

S. João Bosco: A salvação da alma depende geralmente do tempo da juventude

Dois são os lugares que nos estão reservados na outra vida: para os maus, o inferno, onde se sofre todos os tormentos; para os bons, o Paraíso, onde se goza todos os bens.Mas o Senhor vos diz claramente que se vós começardes a ser bons no tempo da juventude, sereis igualmente no resto da vida, a qual será coroada com uma eternidade de glória. Pelo contrário, se começardes a viver mal no tempo da juventude, muito facilmente continuareis assim até a morte, e isto vos conduzirá inevitavelmente ao inferno.

Por isso, quando virdes homens de idade avançada entregues ao vício da embriaguez, do jogo, da blasfêmia, podereis quase sempre dizer que tais vícios começaram na juventude: Adoléscens juxta viam suam, etiam cum senúerit, non recédet ab ea.Ah! filhos querido, diz Deus, recorda-te do teu criador no tempo de tua juventude.Em outro lugar declara feliz o homem que desde a sua adolescência tenha levado o jugo dos mandamentos: Bonum est viro, cum poratáverit jugum ab adolescéntia sua.

Esta verdade foi bem conhecida pelos santos, especialmente por santa Rosa de Lima e por são Luis Gonzaga, os quais, tendo começado a servir fervorosamente a Nosso Senhor desde a mais tenra idade, quando adultos só achavam gosto nas coisas de Deus e assim se tornaram grandes santos.O mesmo se diga do filho de Tobias que, desde o início de sua juventude, foi sempre obediente e submisso aos seus pais:Este morreram e ele continuou a viver virtuosamente até a morte.

Mas dirão alguns: se começamos agora a servir a Deus, tornaremos tristonhos.Respondo-vos que isso não é verdade.Andarás triste quem serve ao demônio, pois que, por mais que se esforce para estar alegre, terá sempre o coração a lhe segredar entre lágrimas: És infeliz, porque és inimigo do teu Deus.Quem mais afável e jovial que

São Luis Gonzaga?Quem mais alegre e gracioso do que São Felipe Néri e São Vicente de Paulo?E contudo, a vida deles foi um contínuo exercício de todas as virtudes.

Animo pois, meus caros filhos; dedicai-vos em tempo á virtude e eu vos garanto que tereis sempre o coração alegre e contente e experimentareis quanto é doce e agradável o serviço do Senhor.



Fonte: S. João Bosco - O Jovem Instruído na Prática de Seus Deveres Religiosos

sábado, 24 de outubro de 2009

Grandes Bispos Brasileiros: D. Antônio de Macedo Costa



Dom Antônio de Macedo Costa nasceu em Engenho Nossa Senhora do Rosário de Copioba, Maragogipe, em 7 de agosto de 1830.

Seus pais foram José Joaquim de Macedo Costa e Joaquina de Queirós Macedo.

Ingressou no seminário da Bahia no dia 31 de dezembro de 1848. Fez os seus estudos eclesiásticos na França, no período de 1852 a 1854 no Seminário de Saint Celestin, em Bourges; e de 1854 a 1857 no Seminário de São Sulpício, em Paris. Ordenou-se presbítero no dia 19 de dezembro de 1857, aos 27 anos, em Paris, pelas mãos do Cardeal Arcebispo de Paris, François Nicholas Madeleine Morlot (1795-1862).

Doutorou-se em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, no dia 28 de junho de 1859.

Indicado para o episcopado pelo paraense Dom Romualdo de Seixas, Arcebispo de Salvador, o seu nome é apresentado pelo Imperador do Brasil Dom Pedro II à Santa Sé no dia 23 de março de 1860.

No dia 20 de dezembro de 1860 o Papa Pio IX confirma a nomeação do Padre Dr. Antônio de Macedo Costa como 10º Bispo do Pará.

Dom Macedo Costa foi ordenado bispo no dia 21 de abril de 1861, pelas mãos do Internúncio Apostólico no Brasil, Dom Mariano Falcinelli Antoniacci, OSB, (1806-1874).

Dom Antônio toma a posse no bispado por procuração no dia 23 de maio de 1861; chega a Belém no dia 24 de julho. Sua entrada solene na catedral deu-se a 10 de agosto. Faz publicar no mesmo dia de sua entrada sua primeira Carta Pastoral, com data de 1º de agosto.

Durante seu governo episcopal ocorre a chamada “Questão religiosa”. No dia 28 de abril de 1874 Dom Macedo Costa foi preso e condenado a quatro anos de prisão com trabalhos forçados por crime de sedição, com ele estava Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo de Olinda e Recife.

No dia 26 de junho de 1890 Dom Antônio é transferido para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Faleceu em Barbacena, Minas Gerais, no dia 20 de março de 1891, antes de ocupar o sólio primacial.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Grandes Bispos Brasileiros: D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti



Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, foi o décimo bispo nomeado de Goiás, décimo bispo de São Paulo; o décimo terceiro bispo e segundo arcebispo do Rio de Janeiro e o primeiro sacerdote brasileiro e latino americano a ser elevado ao título e dignidade de cardeal.

Nasceu em Arcoverde-Brasil, estado de Pernambuco, em 17 de janeiro de 1850. Era filho de Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti e de Marcelina Dorotéia de Albuquerque Cavalcanti.

Com treze anos, entrou para o Seminário Menor, em Cajazeiras, na Paraíba. Aos 16 anos, em 1866, seguiu para Roma, onde cursou Ciências e Letras, Filosofia e Teologia, tendo concluído seus estudos no Pontifício Colégio Pio Latino Americano.

Foi ordenado sacerdote a 4 de abril de 1874, na Arquibasílica de São João Latrão. Por dois anos permaneceu estudando em Paris, regressando ao Brasil, em 1876, quando o bispo de Olinda, Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, o incumbiu de estrutura o Seminário, no qual foi professor de Filosofia e reitor. Foi também pároco nos bairros recifenses da Boa Vista e Corpo Santo, e em Cimbres. Foi professor de francês no Recife e diretor do Colégio Pernambucano. Em 1888, Dom Pedro II o indicou para bispo auxiliar da Bahia, nomeação que não aceitou.
No dia 26 de junho de 1890, aos 40 anos, em virtude do regime do padroado, foi indicado, bispo de Goiás, o que foi confirmado pelo Papa Leão XIII.

Foi sagrado bispo, em Roma, no dia 26 de outubro de 1890, pelas mãos de S. Ema. Revma. Mariano Cardeal Rampolla del Tindaro, secretário de Estado da Santa Sé, sendo consagrantes: S. Ema. Revma: Domenico Cardeal Ferrata, secretário da extinta Congregação de Negócios Eclesiásticos Extraordinários; e Dom Antônio de Macedo Costa, então Arcebispo de Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Renunciou ao cargo, no dia seguinte à sua sagração.

Transferiu-se para Itu, em São Paulo, onde passou a lecionar no Colégio São Luís, de propriedade dos jesuítas, que haviam voltado ao Brasil.

Em 26 de agosto de 1892, foi designado bispo auxiliar de Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, arcebispo de São Paulo, que se encontrava doente. Recebeu a sede titular de Argos. Nesta função, foi incumbido de ir pessoalmente à Europa para contatar as congregações religiosas que deveriam vir ao Brasil para ações missionárias e de educação, quais foram: redentoristas, lazaristas e premonstratenses. Aos últimos foi confiado o Santuário de Bom Jesus e o Seminário do clero secular, na cidade paulista de Pirapora do Bom Jesus. Em 19 de agosto de 1894, estando em Paris, recebe a notícia do falecimento de Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, e também é nomeado seu sucessor. A 30 de setembro do mesmo ano toma posse como décimo bispo de São Paulo.

A 24 de agosto de 1897, é elevado, pelo Papa Leão XIII, a arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, tomando posse a 31 de agosto de 1897.

No Consistório do dia 11 de dezembro de 1905, presidido pelo Papa São Pio X, na Basílica de São Pedro, o criou Cardeal presbítero, do título de São Bonifácio e Santo Aleixo. Tornou-se , pois, o primeiro cardeal do Brasil e da América Latina.

Mesmo tendo sido curto o período em que exerceu o episcopado em São Paulo, o Cardeal Arcoverde teve importante atuação no sentido de superar os atritos com o novo regime republicano, principalmente no que se referia à extinção do ensino religioso nas escolas públicas. Foi ele quem fundou a Federação das Associações Católicas. Durante o seu governo foram iniciadas a construção de diversas igrejas tradicionais de São Paulo, como a de Bom Jesus, no bairro do Brás. Também foi ele que criou a tradicional Paróquia de Santa Cecília, nomeando seu primeiro pároco o Padre Duarte Leopoldo e Silva, futuro primeiro arcebispo de São Paulo.

Faleceu 18 de abril de 1930 aos oitenta anos, no Rio de Janeiro, como seu arcebispo, estando sepultado na catedral daquela cidade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Grandes Bispos Brasileiros: D. Antônio Ferreira Viçoso



Dom Antônio Vicente Ferreira Viçoso CM, nasceu em Peniche(Portugal) em 13 de maio de 1787, foi um religioso lazarista, oitavo bispo da arquidiocese de Mariana e escritor, tendo sido autor de diversas obras de caráter religioso, dentre as quais O romano.

Filho de Jacinto Ferreira Viçoso, conhecido como O Manso, e de Maria Gertrudes; neto paterno de Francisco Ferreira Viçoso e de Joana Maria e, materno, de Luís dos Remédios e de Joana Francisca. Ingressou no noviciado da Congregação da Missão, em Lisboa, no dia 25 de julho de 1811, onde foi ordenado padre no dia 7 de março de 1818, aos trinta anos.

Ensinou filosofia no seminário de Évora. Vindo de Portugal para fundar missões na província de Mato Grosso, juntamente com o padre Leandro Rebelo Peixoto e Castro, com quem fundou a primeira província lazarista brasileira, acabou por se tornar diretor do colégio de Caracas, em Minas Gerais, e mais tarde do de Jacuecanga, no Rio de Janeiro e do de Campo Belo.

Antônio Ferreira Viçoso foi indicado, no regime do padroado, por D. Pedro II para ser bispo de Mariana no dia 12 de janeiro de 1844, aos 57 anos. Foi ordenado bispo no dia 5 de maio de 1844, pelas mãos de Dom Manuel do Monte Rodrigues de Araújo, Dom Pedro de Santa Mariana e Sousa, OCD e de Dom José Afonso de Morais Torres.

Reformou o seminário de Mariana, fundado em 1750, aplicando as normas do Concílio de Trento para a formação do clero. Confiou sua direção aos seus confrades da Congregação da Missão.

Durante seu governo, circulou o periódico Selecta Catholica (1846 – 1847), publicado por um grupo de religiosos ligados a Dom Antônio.

D. Pedro II conferiu-lhe no dia 7 de março de 1868 o título de conde de Conceição. Conselheiro imperial, recebeu ainda a comenda da Imperial Ordem de Cristo e o grau de oficial da Imperial Ordem da Rosa.

Faleceu no dia 5 de agosto de 1875. Em 1985, realizou-se o processo ordinário diocesano para a causa de sua beatificação e canonização. Em 1986, foi-lhe atribuído o título de Servo de Deus.


*Apesar de não ter nascido no Brasil, exerceu grande apostolado no Brasil, por isso achei por bem incluí-lo na sessão sobre Bispos Brasileiros.